28 de fev de 2011

Bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa.


Caio F. 








24 de fev de 2011

Inconstantemente vivendo


É incrível como me surpreendo comigo mesma.
Os anos vão passando e quando penso que já sei tudo sobre mim, o espelho me assusta. Novas sensações, ações, olhares. Novas palavras, novas conclusões.
Ultimamente tenho visto a vida de uma maneira tão surpreendente. Coisas que jurava acreditar de repente fogem de mim e outras que nunca senti me agarram como carrapatos na pele de um cão.
Viver é mais inconstante do que eu imaginava.
Me impressiona sentir tão de perto as mutações, rotações e translocações da vida.
Cai uma folha, um barranco, uma árvore. Mudam-se as estações, o tempo, o corpo. Mais que coisas puramente biológicas, geográficas, físicas ou sei lá mais o que, mudam-se os sentimentos, as amizades, as palavras, os gestos, o vestir, o comer, o andar, o falar, o escrever, o pensar, o agir... Mudam-se, movem-se, muda.
Você pode até discordar em alguns pontos, mas mudanças nem sempre são perceptíveis aos nossos próprios olhos. Eu, na verdade, nem sei se perceber é algo bom ou ruim. Auto-percepção ajuda, mas ainda descubro no que. Porque tenho lá minhas dúvidas, então prefiro não expor o que ainda está por vir.
E sou assim, inconstante como o mundo. Me assusto com ele, mas também comigo.
Quantas vezes achei minha vida pacata! Não tinha idéia do "montareu" de idas e vindas e idas, somente, que esperavam por mim, ou melhor, que eu esperava. Ah, quer saber?! As duas são verdadeiras: a mudança nos espera e nós a esperamos. Reciprocidade confusa.
E esse turbilhão por vezes me aflige e embaraça minha mente. Outra hora me alegra e às vezes me instiga, deprime e me alerta. A idéia é não se prepara para mais nada pois posso não ser mais tão forte ou posso ser mais do que imagino. Posso não ser tão calma, tão observadora, tão amiga. De repente posso não ser só sorrisos ou só lágrimas, posso ser sonho, mas também pesadelo... 
Posso ser o cisne branco e outrora o negro.
Controla-me Deus com tuas santas mãos e protege-me de mim mesma!

23 de fev de 2011

Impermanência


Tenho uma amiga que diante das circunstâncias mais difíceis costuma afirmar: “E isto também passará!” Pura verdade. Tudo passa. Nada permanece inalterado. Nada permanece o tempo todo, do mesmo modo, no mesmo lugar. Inclusive aquilo que gostaríamos que não passasse nunca. Aprendi, embora tantas vezes esqueça e as circunstâncias me convidem a relembrar, que a ordem natural das coisas é a fluência, o movimento. O fechamento de um ciclo e a inauguração de outro.

A natureza, que tem dado claros sinais de contrariedade com o pseudocontrole dos homens, há séculos dá aulas gratuitas a respeito disso, com ou sem platéia. É só a gente olhar para as várias feições da lua. Para o movimento das ondas do mar. Para os diferentes tons do céu num período de 24 horas. Para a dança da floração das plantas. Para o caminho que a semente faz até se vestir de fruto. Intimamente, basta olharmos pra nós mesmos, usando o espelho de fora ou o espelho de dentro.

Durante a nossa jornada temos inúmeras oportunidades para olharmos nos olhos da morte. Com o tempo, começamos a perceber que, no fundo, ela não é outra coisa senão um jeito diferente que a vida arruma para se vestir. Mas, ai, como costuma ser difícil lidar com as mudanças da nossa própria vida. Como é difícil assumir a morte das coisas, mesmo as mais moribundas, sobreviventes apenas pelos tubos do apego. Como é difícil arrumar os armários do próprio coração. Ter coragem para se desfazer daquilo que já não nos serve e sabemos que não irá mais nos servir. Crenças. Padrões. Expectativas. Auto-imagens.

Há fases em que somos tocados com tanta rispidez pelas experiências do nosso caminho, que, muitas vezes, sem sequer percebermos, trocamos de mal com o riso, com a felicidade, com o compromisso maior, aquele que temos com o nosso coração. De alguma maneira, geralmente sutil, rompemos com tudo. Com todos. Principalmente, com nós mesmos. Sentimo-nos muito tristes e tentamos paralisar o movimento da vida a partir do núcleo do nosso medo.

Fases em que não nos encantamos com mais nada. Esquecemos o gosto bom das alegrias mais simples. Vedamos nossos olhos à grandeza do milagre presente em todas as coisas. Agarramo-nos à nossa dor com tanto zelo que nem o ser mais luminoso e bem intencionado do universo parece ser capaz de nos dissuadir de soltá-la. Assustados, na tentativa de nos protegermos de mais dor, ignoramos que a dor maior é a própria estagnação. A tentativa de interrupção do fluxo. A negação em nos rendermos, outra vez, à dança da vida.

Nessas fases doídas da caminhada, a gente esquece, sim, de que tudo passa. Esquece, sobretudo, que precisamos permitir que passe. E que não há muito o que fazer nesses momentos, senão entregar e confiar, eita tarefa difícil. Deixar que as coisas morram e abram espaço para o novo. Aceitar o intervalo da travessia, em que as coisas não têm mais a forma antiga nem ainda a forma nova. O tempo da crisálida: nem mais lagarta nem vôo ainda. Respeitar a cadência natural das gestações. Lembrar que precisamos ser delicados e generosos com nós mesmos para atravessar a frente fria até o sol surgir de novo. Lembrar que tudo é impermanente.

Autor desconhecido

22 de fev de 2011

Abrindo a caixinha de música...

Nosso Salvador - Laura Morena


Em suas mãos se achava ternura
em suas mãos repousava o perdão.
O seu olhar de amor fazia qualquer pecador se arrepender.
Ele levava consigo a vida, de suas vestes brotava poder.
Veio trazer a paz, curar a dor e salvar à quem o negou.

Cristo Jesus, o filho de Deus, e o mundo não quis ouvir seu chamar.
Fez o surdo ouvir e o mudo falar, fez um morto se levantar.
E quem aceitasse o seu favor, herdaria o seu amor. Ele veio morrer para ser o nosso salvador.

Ele assumiu toda forma humana e como servo aqui caminhou.
Sendo Senhor do céu, da terra e mar, escolheu por nós Se humilhar.
Lá no calvário, um triste momento, dilaceraram o seu coração.
Cravos nos pés e mãos marcaram para sempre o autor da redenção.


20 de fev de 2011

Impotentes



Como o ser humano é fraco...
Estava pensando em como não somos nada. Apesar dos avanços tecnológicos, medicinais e etc, o poder mental que o homem tem, quando é posto na balança, se resume a pouca coisa. Mas pense no sorriso, no abraço, nos momentos divertidos com os amigos, nas horas silenciosas de um casal apaixonado, na campainha da mãe, no respeito ao próximo. Tudo isso é bom e faz bem. São essas pequeninas coisas que faz da vida humana algo tão belo e poderoso.
Alguém criou o universo, o mundo, eu e você. E juntamente deu de brinde todas as coisas que são verdadeiramente poderosas. O amor, a compaixão, o 'fazer o bem' não vem de nós, mas Dele, o todo poderoso, Deus!
Ele não nos pôs no mundo para vivermos do jeito que a gente bem entendesse, pelo contrário, ele nos deu esses dons da vida pra reconhecermos a sua glória e para que permitíssemos ser usados pelo seu poder.
Jesus está aí, do seu lado, pedindo sua permissão para te transformar de um mero humano a um esplêndido Filho de Deus.
Aceite.

18 de fev de 2011

O pedido de Salomão


"E Salomão amava ao SENHOR, andando nos estatutos de Davi seu pai; somente que nos altos sacrificava, e queimava incenso.
E foi o rei a Gibeom para lá sacrificar, porque aquele era o alto maior; mil holocaustos sacrificou Salomão naquele altar.
E em Gibeom apareceu o SENHOR a Salomão de noite em sonhos; e disse-lhe Deus: Pede o que queres que eu te dê.
E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência, e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia.
Agora, pois, ó SENHOR meu Deus, tu fizeste reinar a teu servo em lugar de Davi meu pai; e sou apenas um menino pequeno; não sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do teu povo que elegeste; povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?
E esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, de que Salomão pedisse isso.
E disse-lhe Deus: Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas pediste para ti entendimento, para discernires o que é justo;
Eis que fiz segundo as tuas palavras; eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve, e depois de ti igual não se levantará. E também até o que não pediste te dei, assim riquezas como glória; de modo que não haverá um igual entre os reis, por todos os teus dias. E, se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos, e os meus mandamentos, como andou Davi teu pai, também prolongarei os teus dias."

(1 Reis 3: 3-14)

Eu, no lugar de Salomão, não sei se pediria a mesma coisa. Nunca tinha pensado tão profundamente nessa história. Salomão, entre tantas coisas no mundo pra se pedir ao dono do Universo, escolhe a sabedoria, e somente pelo fato de pedir isso pra mim ele já era muito sábio!
E Deus é tão amoroso, misericordioso e grande em bondade que não somente lhe deu o que havia pedido, mas ainda o concedeu o que não havia pedido e prometeu prolongar os dias de Salomão na terra se o mesmo se mantivesse fiel aos seus ensinamentos.
Experimente esse Deus maravilhoso, permita que ele mude sua vida, não tenha vergonha de pedir o que queres. Somente confie, e ele te dará muito, mas muito mais do que você imagina.
Oh Deus, dá-me um terço da sabedoria que destes a Salomão!!


17 de fev de 2011

É big, é big, é big!

Hoje tenho algo especial para agradecer a Deus. Hoje meu pai completa mais um ano de vida!!
61 anos não é pouca coisa e estou muito feliz por ele, que faz tanto por mim...
Queria deixar uma imagem que expressasse minha felicidade e ao mesmo tempo um certo tipo de presente para ele, uma imagem que resumisse todo meu carinho e amor por essa pessoal tão especial.
Eu busquei e quando vi soube que seria aquela, ou melhor, aquelas...Então aí lá vai


Te amo PAI!

15 de fev de 2011

Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval. Vinícius de Morais







13 de fev de 2011

É uma decisão

Agora é tudo diferente do que eu já vivi.
O fato é que eu gosto, aliás, mais do que isso, eu amo!
Amo, e não é simplesmente sentir, é comprometer-se, é escolha. Todas as manhãs que chegam pra mim eu decido: eu quero amá-lo, e então amo.
E é assim que vou viver, até o dia que eu decidir não amá-lo mais ou então, até o dia que eu falecer.


10 de fev de 2011

Indo


Vou indo pra onde o sol iluminar,
pra onde o riso me encantar,
pra onde o trem buzinar.
Tô indo pra onde o vento soprar,
pra onde o olhar penetrar,
pra onde a música tocar.
Eu quero ir aonde você estiver,
pra onde o amor acontecer,
pra onde você me levar...

9 de fev de 2011

Refletir


Parando pra refletir nas coisas que já aprendi nesses meus 21 anos de existência, uma merece destaque nesse momento: o Ser Humano.
Você deve tá tentando imaginar o que há de se tirar como lição dessas palavras tão comuns. Agora, possivelmente, está pensando na variedade de assuntos que se aplica ao ser humano e qual deles as linhas seguintes abordarão.
Há uma palavra bem óbvia que me vem a mente (e na mente de muitos) ao ler "o Ser Humano" e pensar em como ele é, sem distinguir cor, origem, religião, etc. Essa palavra é imperfeição.
Sim, algo que estamos cansados de saber é que todos nós somos imperfeitos. Somamos bilhares em todo o planeta Terra com crenças, tamanhos, cores, idades, condições diferentes e por aí vai, mas somos - não incrivelmente - todos imperfeitos.
Porém, não é simplesmente isso que me chamou a atenção pra escrever esse texto. O interessante disso tudo é que você não gosta de ser traído(a), eu não gosto que hajam errado comigo e creio que mais ninguém em sua sanidade gosta disso. Mas nós não somos imperfeitos? O erro é inerente a todos. Sabemos disso e porque exigimos tanto?
Criatura mais imunda o ser humano: imperfeitos exigindo perfeição.
Cair, odiar e se magoar faz parte. Não digo que é certo, mas faz parte.
Devemos ter em mente que não precisamos admirar alguém ou achar uma pessoa íntegra para amá-la e respeitá-la. Não devemos exigir das pessoas (inclui qualquer pessoa da face da terra) aquilo que não fazemos para elas.
Deus nos ensina a amar os inimigos, a perdoar quem nos ofende e a fazer pra os outros aquilo que queremos que façam conosco.
Somos imperfeitos, isso é FATO e não há nada, eu disse absolutamente nada que nós mesmos possamos fazer para sermos melhores, a não ser uma única coisa: entregar mente, coração, mão, pé e braço aos comandos de Jesus, pois ele é a forma de nos tornar perfeitos, assim como ele o é.
Isso é o que me impressiona!!

8 de fev de 2011

Mais de Jesus


Eu quero mais de Jesus...
Sem me preocupar com o tempo, sem ver nada nem ninguém.
Eu quero mais de Jesus pra poder ser mais eu.
Eu quero mais de Jesus...
Muito mais, tudo o mais.
Eu quero mais de Jesus...
Sentir sua paz, ver sua luz.
Eu quero mais de Jesus e quero mais da vida...
Quero mais, muito mais.
Eu quero mais de Jesus...
E quero um cantinho sossegado, um chazinho requentado e silêncio pra ouvir.

6 de fev de 2011

Urgentemente


É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade.
Alguns lamentos, muitas espadas

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer.

Eugênio de Andrade

5 de fev de 2011

Há esperança


“Aquele  anseio que nasce em nós quando nos apaixonamos pela primeira vez, quando pela primeira vez pensamos em uma terra estrangeira, quando começamos a estudar um assunto que nos entusiasma, é um anseio que nenhum casamento, viagem ou estudo pode realmente satisfazer. Não estou falando aqui do que costumam chamar de casamentos infelizes, férias frustradas e carreiras fracassadas, mas sim das melhores possibilidades em cada um desses campos. Havia algo que vislumbramos no primeiro instante de encantamento e que simplesmente desaparece quando o anseio se torna realidade. Acho que todos sabem do que estou falando. A esposa pode ser uma boa esposa, os hotéis e a paisagem podem ter sido excelentes, e talvez a Química seja uma bela profissão: algo, porém nos escapou. Ora, existem duas maneiras erradas, e uma certa, de lidar com esse fato.
(1)   A Via do Tolo – Ele põe a culpa nas próprias coisas. Passa a vida toda a conjecturar que, se arranjasse outra mulher, fizesse uma viagem mais cara, ou seja lá o que for, conseguiria dessa vez capturar essa coisa misteriosa que todos nós procuramos. A maior parte dos ricos entediados e descontentes do nosso mundo são desse tipo. Eles passam a vida toda pulando de uma mulher para outra (com a ajuda dos tribunais), de continente para continente, de passatempo para passatempo, sempre na esperança de que o útlimo será, enfim, “a coisa certa”, e sempre decepcionados.
(2)   A Via do “ Homem Sensato” Desiludido – Logo ele cnclui que tudo não passava de conversa fiada. “É bem verdade”, diz ele, “ que, quando é jovem, a pessoa se sente assim. Quando chega à minha idade, porém, você desiste de buscar o fim do arco-íris”. Então ele se acomoda, aprende a não esperar muito da vida e reprime a parte de si mesmo que, nas suas palavras, costumava “uivar para a lua”. Essa é, sem dúvida, uma via bem melhor que a primeira; torna o homem mais feliz e não faz dele um problema para a sociedade. Tende a torná-lo um chato (sempre pronto a se achar superior diante dos que julga “adolescentes”, mas, de maneira geral, faz com que ele leve uma vida sem grandes sobressaltos. Seria a melhor opção se o homem não tivesse uma vida eterna. Mas suponha que a felicidade infinita realmente exista e esteja logo ali, à nossa espera. Suponha que realmente seja possível alcançar o fim do arco-íris – nesse caso, seria uma pena descobrir tarde demais (imediatamente após a morte) que, por causa do nosso suposto “bom senso”, sufocamos em nós mesmos a faculdade de gozar dessa felicidade.
(3)   A Via Cristã – Dizem os cristãos: “ As criaturas não nascem com desejos que não podem ser satisfeitos. Um bebê sente fome: bem, existe o alimento. Um patinho gosta de nadar: existe água. O homem sente o desejo sexual: existe o sexo. Se descubro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para um outro mundo. Se nenhum dos prazeres terreno satisfaz esse desejo, isso não prova que o universo é uma tremenda enganação. Provavelmente, esses prazeres não existem para satisfazer esse desejo, mas só para despertá-lo e sugerir a verdadeira satisfação. Se assim for, tenho de tomar cuidado, por um lado, para nunca desprezar bênçãos terrenas nem deixar de ser grato por elas; por outro, para nunca tomá-las pelo ‘algo a mais’ do qual são apenas a cópia, o eco ou a miragem. Tenho de manter viva em mim a chama do desejo pela minha verdadeira terra natal, a qual só encontrarei depois da morte; e jamais permitir que ela seja arrasada ou caia no esquecimento. Tenho de fazer com que o principal objetivo de minha vida seja buscar essa terra e ajudar as outras pessoas a buscá-la também.”
Não devemos nos preocupar com os irônicos que tentam ridicularizar a esperança cristã do “Paraíso” dizendo que “não querem passar a eternidade tocando harpa”. A resposta que devemos dar a essas pessoas é que, se elas não entendem os livros que são escritos para adultos, não devem palpitar sobre eles. Todas as imagens das Escrituras (as harpas, as coroas, o ouro, etc.) são, obviamente, uma tentativa simbólica de expressar o inexprimível. Os instrumentos musicais são mencionados porque, para muita gente (não todos), a música é objeto conhecido nesta vida que mais fortemente sugere o êxtase e a infinitude. A coroa é mencionada para nos dar a entender que todo aquele que estiver reunido com Deus na eternidade tem parte no seu esplendor, no seu poder e na sua alegria. O ouro é citado para nos dar a idéia da eternidade do Paraíso (o ouro não enferruja) e também de sua preciosidade. As pessoas que entendem esses símbolos literalmente poderiam também pensar que, quando Cristo nos exortou a ser como as pombas, quis dizer que deveríamos botar ovos.”

C. S. Lewis; Cristianismo puro e simples, cap. 10, ps. 180 - 183

4 de fev de 2011

Alice


Num dia chuvoso Alice conversava comigo sobre sua vida. Ela falava sobre seus maiores sonhos e ambições. Eram todos muito incríveis em seus detalhes, mas comuns de modo geral.
Alice falava-me tão sorridente e os olhinhos até brilhavam. É admirável a firmeza de seus planos e a confiança que tinha nela mesma.
Mas num instante a face de Alice se recobrou em seriedade e ouvi apenas a respiração profunda da moça. Foi então que ela me interrogou:
- Como ter certeza de que a vida não vai me dá um ponta-pé?
De início fiquei confusa e não entendi ao que ela se referia, mas continuou:
- Como saber se meu tapete não vai ser puxado e eu vou cair rapidamente? Como? Como confiar em alguém tão grandemente a ponto de me entregar por completo e achar que tudo será belo? Me diz como!!
Nesse momento eu já entendia a preocupação de Alice. Ela me interrogava como se eu tivesse as respostas na ponta da língua e seus olhos agora brilhavam devido às lágrimas que os ensopava.
Eu não tinha nenhuma resposta pronta e Alice me fixava o olhar com ânsia de ouvir-me, portanto, me desesperei por não poder falar-lhe. Foi então que a coitada levantou-se soluçando e aproveitei esses instantes para pensar no que iria lhe dizer.
Meu pensamento revirou lembranças já velhas, guardadas em uma das últimas gavetas do armário...
- Alice, chamei-a aliviada, a gente não pode adivinhar se e quando a vida vai nos golpear, pois o futuro não nos pertence. Mas eu sei de uma coisa e isso vai te ajudar: o segredo pra vencer os golpes da vida não é saber quando eles virão, mas sim mantendo a felicidade, porque ela existe pra ser vivida até nessas horas que parecem tristes.
Alice abriu seu sorriso e me deu um abraço tão apertado que minha alegria foi inevitável.
Termino aqui afirmando que, nessa vida, ser feliz é só uma questão de escolha e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8: 28)